Crónica primeira
Março 24, 2007
Levei o pé ao chão. Com pouco que me empurrasse, vesti a gravata da razão, detive-me, voltei ao carro. Fechei a porta e liguei o ar condicionado. Acendi calmamente o cigarro que o Fernando me plantou nas mãos há já anos e dediquei-me à filosofia possível sobre um jogador de pés tortos. Pior: de um jogador de futebol.
É sempre difícil – senão impossível – precisar berço e alvo das nossas primeiras paixões. Esta caneta não escreve diferente.
Para quem não necessita de um metro para se declarar em números de altura, o quintal lá de casa é imenso. (Mas que a cada Inverno ficava inexplicavelmente mais curto.) Não é simétrico: não é um rectângulo. Tem umas escadas que dão para o 1º andar, onde moram uns tios (que também ficaram mais curtos com os anos), mais um pequeno relevo na ponta mais afastada da casa e um anexo sem grande relevância, dois muros de cada lado e, compondo-se assim o tapete de cimento.Um par de jogos: o remate simples – ao comprimento, um de cada lado, um a chutar e outro a defender – e o ‘futebol de um toque’ – esquema complexo de tabelas, em que cada jogador, como é fácil notar, só pode tocar uma vez na bola até que o adversário o faça igualmente, e assim sucessivamente. E o que importa é esta última. Esta herança única da infância do meu pai, que manteve durante anos a destreza da matemática de bilhar nos pés, fazendo autênticos brilharetes nas arenas que eu e o meu primo agilmente montávamos.
O objectivo era introduzir uma pequena bola – de um tipo de borracha que não voltei a encontrar – numa caixa de fruta de boca aberta para o terreno de jogo. Foi o encanto mais esgotante que alguma vez me enlaçou. Baldes de suor até aos berros de jantar de minha mãe.
Escusado será dizer que o par de janelas que existiam em cada ponta do quintal sofreu gravemente por mais de uma dezena de vezes. E que isto não e um ponto final, que terá continuidade periódica.
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1.
João Pedro | Março 26, 2007 at 4:18 am
Assim de repente, também me vêm à memória as brincadeiras antes de jantar com o meu irmão, igualmente interrompidas pelos tais berros. Soavam bem mal por acaso e era por isso, que a refeição não chegava aos 10 minutos às vezes… Havia um jogo para acabar!
Cumprimentos
2.
felli´pe | Setembro 6, 2007 at 11:28 am
ruim